1.8.06

Algo Belo




Fernando Pessoa falava: "feliz aquele que vê a beleza na Vênus de Milo e no "binômio de Newton".

Aqui pode-se encontrar uma comparação entre dois dispositivos: o venerável Newton da Apple, que mandou e desmandou nos idos de 1996 e o moderníssimo Sansung Q1, evolução do notebook, resultado de um projeto conjunto entre Intel e Microsoft para se definir o próximo padrão de computação portátil.

(Cabe uma observação: estes que vos escreve possuiu um Newton nos idos de 1995 quando não se falava em celulares, ou Palms)

Vale a pena ler a comparação, principalmente para aqueles mais techies.

Normalmente em informática o que é mais recente é superior ao antigo. Trata-se da própria lógica da Lei de Moore. O Newton possui mais de 8 anos de idade. O Sansung Q1 meses.

Entretanto imortaliza-se a genialidade. E o design do Newton é mais um exemplo que pertence ao mesmo grupo de outros grandes.

APÊNDICE - Acabei de ver hoje pela manhã que a Apple não deve reinar solitária no mundo do design, veja a foto do novo tocador MP3 da Sony.

30.7.06

Sade: é comigo ?



Tudo que queremos saber ao sairmos da peça "Os 120 dias de Sodoma" da "Companhia dos Satyros" é o quanto aquilo tudo tem a ver comigo.

(Leia aqui um ensaio do Contardo Calligaris escrito originalmente na Folha sobre a peça).

Não me refiro unicamente ao desfile de perversões materializadas no palco: incesto, masturbações com padres, canibalismo com fetos removidos violentamente do ventre de suas mães grávidas, ingestão prazerosa de fezes, açoitamentos.

Não se trata apenas de um freudianismo que estamos falando, uma investigação psicanalítica do oculto no homem com o foco no indivíduo. Mas sim da amplidão do seu relacionamento com seus pares e principalmente de seus desiguais, sejam superiores ou não. Política, enfim.

Enquanto se deleitam na sua perversa liberdade, concluem numa epifania: "somos verdadeiramente felizes não apenas pelo que podemos fazer, mas porque fazemos o que outros, nossos inferiores não podem fruir nem gozar. Desta forma, para que continuemos felizes em nosso gozo, devemos permanecer e eternizar a desigualdade entre os próximos".

Ao final da peça, os jovens atores deitados nus representam os assassinatos finais. A luz se apaga. Aplausos um tanto tímidos reconhecem a coragem e a proximidade úmida dos segredos da psique. E nenhum dos atores retorna para o agradecimento. Apenas o palco vazio. Os mensageiros de Sade se vão, como os aplausos pouco significassem frente à liberdade total ali revelada com deboche.

Liberdade e poder. Não os encontramos todos os dias ?